quarta-feira, outubro 14, 2009

MED - Mensagem de Boas Vindas do Presidente da AEG

Em nome da AEG, e em meu nome, saúdo cada um de Vós, e dou as boas vindas ao XIII Encontro Mediterrânico.
Foi com muito prazer que a AEG aceitou o desafio de organizar este Encontro, aqui em Portugal, tendo desenvolvido os esforços necessários na sua preparação, de forma a poder proporcionar-vos uma estadia agradável, um encontro produtivo, e um convívio fraterno entre escuteiros e guias adultos de diferentes países, onde nos conheceremos uns, pela primeira vez, outros reencontrando-se, em clima de festa.
O tema deste Encontro – Unidos pelo mar - Caminho de Culturas, Inovação e Criatividade, define claramente uma das razões de aqui estarmos, oriundos de diversos quadrantes, quase todos com mar por perto, que tantas vezes é tido como elo de separação, ao contrário, a nós, pretende juntar-nos.
Também a região escolhida não poderia ser melhor, o Algarve, onde, recordo, na sua parte ocidental, no século XV o Infante D. Henrique, iniciou a era dos Descobrimentos, acabando consequentemente por unir povos de longínquas paragens.
Durante o Encontro, teremos tempos de reflexão, de trabalho, de diversão, de convívio e de turismo, mas, não esquecendo a nossa origem escutista, praticaremos a nossa Boa Acção Colectiva perante a comunidade que nos recebe, Tavira, contribuindo assim para que a população olhe para nós como verdadeiros Escuteiros Adultos, que continuam a ser úteis á sociedade.
O êxito deste Encontro, depende essencialmente da forma activa que cada um de Vós tiver, desejando a Organização, que seja uma actividade que perdure na memória de todos, e que mereça a pena recordar.
Acreditamos pois, numa forte participação nos trabalhos, por parte de todos Vós, convictos de que no final, sairemos mais ricos em conhecimentos, com novas ou reforçadas amizades, enfim, mais unidos em torno do ideal que nos junta, o verdadeiro espírito do Escutismo.
Obrigado a todos pela vossa presença, boa estadia e bom trabalho.

Jorge Caria
Presidente da AEG (Comité Português de Antigos Escuteiros e Guias)

sábado, outubro 10, 2009

Já decorre o MED


Já decorre o XIII Encontro Mediterrânico da AISG/ISGF, em Tavira.

A Fraternidade de Nuno Álvares, a Associação das Antigas Guias e a Fraternal da AEP juntam-se nesta tão importante organização. A divulgação da nossa cultura e dos nossos costumes é um objectivo já atingido.

Ver gente de culturas tão distintas e de hábitos tão diferentes mas com um mesmo ideal de vida, o Escutismo, é uma das mais interessantes observações que se pode fazer neste tipo de eventos.

Para já aqui fica o link para o nosso album fotográfico deste evento:


segunda-feira, outubro 05, 2009

XIII Encontro Mediterrânico da AISG/ISGF

O Comité Português de Antigos Escoteiros e Guias - AEG, (Escotismo e Guidismo Adulto) orgulha-se de receber em Portugal, o XIII Encontro Mediterrânico da AISG – Associação Mundial de Antigos Escoteiros e Guias, que terá lugar de 8 a 13 de Outubro 2009, em TAVIRA, no Hotel Vila Galé.
Têm já a sua presença confirmado representantes da Região Árabe, a Arábia Saudita, a Líbia, o Egipto, a Jordânia, Marrocos, Argélia e a Tunísia, e da Sub - Região Sul da Europa, Chipre, Grécia, Itália, França, Espanha, Suíça e Israel.
Também estão inscritas outras Associações Europeias que fazem questão em participar sempre neste evento dos povos Mediterrânicos, tal como o Reino – Unido, a Dinamarca, o Liechtenstein e a Bélgica.
Este Encontro pretende divulgar, além do trabalho desenvolvido pela AEG – Comité Português de Amizade de Antigos Escoteiros e Guias, composto pelas três Associações (Fraternal de Antigos Escoteiros de Portugal – FAEP, e a Fraternidade de Nuno Álvares - FNA e da Associação de Antigas Guias – AAG), a troca de experiências de realidades semelhantes na zona Mediterrânica, e difundir a beleza de Portugal e os segredos de um país que tem uma história e cultura muito ricas.

As Associações de Antigos Escoteiros e Guias no Mundo pretendem também que os seus membros sejam testemunhos vivos dos ideais de Baden Powell, movimento que abraçaram quando jovens, e que como adultos deverão continuar ao SERVIÇO de Deus, do País e do Próximo .
O tema é : “ Unidos pelo MAR – Caminho de culturas, Criatividade e Inovação”.
PROGRAMA
8 de Outubro – 5ª feira – Abertura oficial do encontro ás 21 horas na Igreja da Santa
Casa da Misericórdia de Tavira com concerto.
9 de Outubro – 6ª feira - 9.30h Exposição sobre as “Influências em Portugal e no
Algarve vindas do MAR”, seguido de debate.

15.00h Apresentação e debate sobre o tema :“Viver saudável
com a Dieta Mediterrânica”.

10 de Outubro – Sábado - Visita ao Algarve
9h - Manhã, visita a:
- A cidade de Faro e as influências que sofreu
- A costa algarvia vista do MAR
- A Rota da Cortiça em S.Brás de Alportel

13h-15h - Visita e almoço em Silves

16h - Visita a SAGRES e CABO de S.VICENTE

20.00h Jantar com animação em LAGOA
11 de Outubro – Domingo – Dia da Europa – Conferência da Europa do Sul.
Apresentação das variadas Associações.
Debates e planos de acção para 2009/2012
Jantar Internacional

12 de Outubro – 2ª feira - Dia da Amizade
9.30h – Foto de grupo á frente da Câmara Municipal
10 -12.30h -Visita guiada á Cidade de Tavira.
15.30h - B.A. (Boa Acção) Plantação de uma árvore, na Mata da
Conceição, por cada país representado, como símbolo do
respeito pelo meio ambiente.
21h – Encerramento do Encontro e jantar com animação.

13 de Outubro – 3ª feira - Partida dos delegados.
8.00h - Início de dois circuitos turísticos por Portugal :
4 dias de Tavira a Coimbra e volta passando por Lisboa,
Sintra, Óbidos, Alcobaça, Batalha, Fátima e Tomar.

3 dias de Tavira a Estremoz e volta passando por Mértola,
Beja, Grande Lago, Évora, Arraiolos e Vila Viçosa.

sexta-feira, outubro 02, 2009

FNA - Empossada a Direcção Regional de Lisboa


No final de um dia de actividade, no “Monte dos Ciprestes”/Sintra, local que recebeu o Acampamento Nacional, o Presidente da Mesa do Conselho Regional, Eduardo Trepado Marques, empossou a Direcção Regional de Lisboa, João Policarpo, João Lopes Ana Teodósio, David Loureiro, Céu Raposo. Falta na foto Domingos Borralho.
Votos de "Boa Caça" e uma Forte Canhota de todos os associados do Núcleo de Lagoa.
Continuem "Alerta para Servir".

sábado, agosto 15, 2009

FNA na Inauguração da Exposição na Escola Prática de Infantaria em Mafra


Dia da EPI e Inauguração de Exposição

FNA acedeu ao convite da Escola Prática de Infantaria (Mafra) para participar na Exposição D. Nuno Álvares Pereira, que estará aberta de 14 de Agosto a 27 de Setembro de 2009. A exposição está organizada em três áreas distintas, uma dedicada às entidades participantes, outra às batalhas de S. Nuno, como sendo a dos Atoleiros, Aljubarrota e Valverde, e ainda uma outra área dedicada a Vigília d’Armas às Relíquias do Santo Condestável e exposição de figuras e representações.

Uma comitiva representativa, de todas as regiões do país onde a FNA está activa, esteve presente dia 14 de Agosto a convite da Escola Prática de Infantaria na comemoração Dia da Arma de Infantaria e da sua Escola Prática. Tendo sido aproveitada a data comemorativa para inaugurar a exposição D. Nuno Álvares Pereira - O Legado, as Batalhas, as Representações.

Aconselhamos todos a visitarem esta magnifica exposição sobre o Santo Condestável.

A comitiva da FNA

Exposição D. Nuno Álvares Pereira - EPI Mafra


A Escola Prática de Infantaria de Mafra assinalou ontem o Dia da Arma de Infantaria e da sua Escola Prática. É patrono desta escola o agora S. Nuno de Santa Maria. A “figura lendária deste militar e santo”, como lhe chamou o Coronel João Mendes, Comandante da EPI e que no seu discurso o recordou como pilar da instituição. O Coronel João Mendes referiu-se ao patrono como o “homem que garantiu a vitória sobre os Castelhanos, apesar da clara inferioridade numérica das tropas portuguesas”, enaltecendo-o como “estratega, comandando as suas tropas pelo exemplo e pela afirmação inequívoca da sua competência e enorme estatura moral, garantindo a preservação da independência nacional, permitindo ao Reino seguir novos rumos em direcção à epopeia da expansão marítima, marcando o seu pendor universalista, permitindo cumprir o Portugal que hoje somos”. Nuno Álvares Pereira é por isso um exemplo, não só na defesa da Pátria como também nos valores da “honra, verdade, respeito e da camaradagem”, e que contribuíram “para o termos como patrono” referiu o Director Honorário da Arma, Oliveira Cardoso que se dirigiu aos soldados ali presentes para relembrar que a formação é um dos aspectos primordiais na infantaria. Nuno Álvares Pereira é assim tido como “exemplo e fonte de inspiração” no interior da EPI, continuou Oliveira Cardoso, relembrando a figura de Nuno Álvares Pereira agora já como Carmelita no Convento do Carmo. De entre as actividades já realizadas destacamos a homenagem a Nuno Álvares Pereira com a inauguração da exposição “O legado, as batalhas, as representações”, na qual a Rádio Condestável também participa. Esta exposição estará patente ao público no Museu da EPI até 27 de Setembro, sendo o seu acesso efectuado pela entrada do turismo.

terça-feira, agosto 11, 2009

ACANAC FNA Sintra 2009

Mais uma vez o Núcleo de Lagoa esteve representado no Acampamento Nacional da nossa associação. Este ano decorreu em Sintra, no Monte Cipreste, de 30 de Julho a 2 de Agosto. Como tem acontecido em edições anteriores, também desta vez iniciámos a actividade mais cedo para colaborar nas montagens e preparação do campo, mais precisamente no dia 27 de Julho.

Durante alguns fins de semana nos meses anteriores ao ACANAC2009 já tinhamos rumado a Sintra para colaborar na preparação do campo e das instalações, em conjunto com outros núcleos de várias regiões do país.

Parabéns á Região de Lisboa pela organização desta actividade.


Podem ver mais fotos em:


HINO DO ACANAC2009

segunda-feira, maio 04, 2009

Nuno de Santa Maria Álvares Pereira (1360-1431)

Nuno Álvares Pereira nasceu em Portugal a 24 de Junho de 1360, muito provavelmente em Cernache do Bonjardim, sendo filho ilegítimo de fr. Álvaro Gonçalves Pereira, cavaleiro dos Hospitalários de S. João de Jerusalém e Prior do Crato, e de D. Iria Gonçalves do Carvalhal. Cerca de um ano após o seu nascimento o menino foi legitimado por decreto real, podendo assim receber a educação cavalheiresca típica dos filhos das famílias nobres do seu tempo. Aos treze anos torna-se pajem da rainha D. Leonor, tendo sido bem recebido na Corte e acabando por ser pouco depois cavaleiro. Aos dezasseis anos casa-se, por vontade de seu pai, com uma jovem e rica viúva, D. Leonor de Alvim. Da sua união nascem três filhos, dois do sexo masculino, que morrem em tenra idade, e uma do sexo feminino, Beatriz, a qual mais tarde viria a desposar o filho do rei D. João I, D. Afonso, primeiro duque de Bragança.
Quando o rei D. Fernando I morreu a 22 de Outubro de 1383 sem ter deixado filhos varões, o seu irmão D. João, Mestre de Avis, viu-se envolvido na luta pela coroa lusitana, que lhe era disputada pelo rei de Castela por ter desposado a filha do falecido rei. Nuno tomou o partido de D. João, o qual o nomeou Condestável, isto é, Comandante supremo do exército. Nuno conduziu o exército português repetidas vezes à vitória, até se ter consagrado na batalha de Aljubarrota (14 de Agosto de 1385), a qual acaba por determinar à resolução do conflito.
Os dotes militares de Nuno eram no entanto acompanhados por uma espiritualidade sincera e profunda. O amor pela eucaristia e pela Virgem Maria são a trave-mestra da sua vida interior. Assíduo à oração mariana, jejuava em honra da Virgem Maria às quartas-feiras, às sextas, aos sábados e nas vigílias das suas festas. Assistia diariamente à missa, embora só pudesse receber a eucaristia por ocasião das maiores solenidades. O estandarte que elegeu como insígnia pessoal traz as imagens do Crucificado, de Maria e dos cavaleiros S. Tiago e S. Jorge. Fez ainda construir às suas próprias custas numerosas igrejas e mosteiros, entre os quais se contam o Carmo de Lisboa e a Igreja de S. Maria da Vitória, na Batalha.
Com a morte da esposa, em 1387, Nuno recusa contrair novas núpcias, tornando-se um modelo de pureza de vida. Quando finalmente se alcançou a paz, distribui grande parte dos seus bens entre os seus companheiros, antigos combatentes, e acabo por se desfazer totalmente daqueles em 1423, quando decide entrar no convento carmelita por ele fundado, tomando então o nome de frei Nuno de Santa Maria. Impelido pelo Amor, abandona as armas e o poder para revestir-se da armadura do Espírito recomendada pela Regra do Carmo: era a opção por uma mudança radical de vida em que sela o percurso da fé autêntica que sempre o tinha norteado. Embora tivesse preferido retirar-se para uma longínqua comunidade de Portugal, o filho do rei, D. Duarte, de tal o impediu. Mas ninguém pode proibir-lhe que se dedicasse a pedir esmola em favor do convento e sobretudo dos pobres, os quais continuou sempre a assistir e a servir. Em seu favor organiza a distribuição quotidiana de alimentos, nunca voltando as costas a um pedido. O Condestável do rei de Portugal, o Comandante supremo do exército e seu guia vitorioso, o fundador e benfeitor da comunidade carmelita, ao entrar no convento recusa todos os privilégios e assume como própria a condição mais humilde, a de frade Donato, dedicando-se totalmente ao serviço do Senhor, de Maria —a sua terna Padroeira que sempre venerou—, e dos pobres, nos quais reconhece o rosto de Jesus.
Significativo foi o dia da morte de frei Nuno de Santa Maria, o domingo de Páscoa, 1 de Abril de 1431, passando imediatamente a ser reputado de “santo” pelo povo, que desde então o começa a chamar “Santo Condestável”.
Mas, embora a fama de santidade de Nuno se mantenha constante, chegando mesmo a aumentar, ao longo dos tempos, o percurso do processo de canonização será bem mais acidentado. Promovido desde logo pelos soberanos portugueses e prosseguido pela Ordem do Carmo, depara com numerosos obstáculos, de natureza exterior. Foi somente em 1894 que o Pe. Anastasio Ronci, então postulador geral dos Carmelitas, consegue introduzir o processo para o reconhecimento do culto do Beato Nuno “desde tempos imemoriais”, acabando este por ser felizmente concluído, apesar das dificuldades próprias do tempo em que decorre, no dia 23 de Dezembro de 1918 com o decreto Clementissimus Deus do Papa Bento XV.
As suas relíquias foram trasladadas numerosas vezes do sepulcro original para a Igreja do Carmo, até que, em 1961, por ocasião do sexto centenário do nascimento do Beato Nuno, se organizou uma peregrinação do precioso relicário de prata que as continha; mas pouco tempo depois é roubado, nunca mais tendo sido encontradas as relíquias que contivera, tendo sido depostos, em vez delas, alguns ossos que tinham sido conservados noutro lugar. A descoberta em 1966 do lugar do túmulo primitivo contendo alguns fragmentos de ossos compatíveis com as relíquias conhecidas reacendeu o desejo de ver o Beato Nuno proclamado em breve Santo da Igreja.
O Postulador Geral da Ordem, P. Felipe M. Amenós y Bonet, conseguiu que fosse reaberta a causa, que entretanto era corroborada graças a um possível milagre ocorrido em 2000. Tendo sido levadas a cabo as respectivas investigações, o Santo Padre, Papa Bento XVI, dispõe a 3 de Julho de 2008 a promulgação do decreto sobre o milagre em ordem à canonização e durante o Consistório de 21 de Fevereiro de 2009 determina que o Beato Nuno seja inscrito no álbum dos Santos no dia 26 de Abril de 2009.

Biografia oficial para a cerimónia de Canonização divulgada pelo Vaticano

domingo, abril 26, 2009

Nesta data, 26 de Abril de 2009, dia da sua canonização, importa informar a comunidade em que estamos inseridos de quem é esta Associação, com representação em Lagoa, que tem como Patrono D. Nuno Álvares Pereira.

À Fraternidade dos Antigos Filiados do CNE (Corpo Nacional de Escutas) e Associação de Escutismo Adulto foi-lhe indicado como patrono a figura notável de um ser humano, que se destacou ao longo da vida por defender valores em que sempre acreditou, e que muito se aproximam dos mesmos que os escuteiros querem fazer todo o possível por cumprir: Essa figura notável foi D. NUNO ÁLVARES PEREIRA.

É nesse contexto e neste personagem que podemos assentar toda a nossa mística: por um lado, temos o herói, que o foi valorosamente com feitos importantes e inesquecíveis, e que de certo modo todos desejamos imitar ainda hoje. Não já o herói de capa e espada nem tão pouco o da banda desenhada ou dos filmes.
Queremos ser heróis na vida quotidiana: o herói que arrisca a vida quando se senta ao volante do carro para ir trabalhar ou quando viaja de avião ou de navio; o herói quando luta pela sobrevivência para criar a sua família e educar os filhos; o herói quando enfrenta o egoísmo, a vaidade, a corrupção, a falta de lealdade, a inveja... tanto na fábrica como no escritório, como junto dos amigos ou meramente dos conhecidos. D. Nuno indica-nos sempre a tomar o caminho como um líder, um chefe, e não como um indivíduo amorfo; valente e não cobarde; animado e não enfadonho, alegre e com bom humor e não triste ou aborrecido.

A outra vertente de D. Nuno inspira-nos a chegar à santidade, objectivo final de qualquer cristão. Não devemos esquecer a mensagem do Papa João Paulo II, quando nos apela: “não tenham medo de ser santos”. D. Nuno ofereceu-nos o exemplo de solidariedade principalmente com os mais pobres; a humildade é revelada pelo abandono e doação da sua imensa fortuna, só equiparada ao do próprio rei, distribuída por aqueles que mais precisavam. A suavidade e a doçura da sua vida pura encontrou lugar quando se recolheu na Ordem dos Carmelitas, onde trocou as ricas vestes e a luzidia armadura, pelo burel castanho e remendado de um simples monge, como desejava ser o último servidor de Deus.

Por analogia podemos comparar parte da sua vida como a de um verdadeiro escuteiro. Se não vejamos. Começou como escudeiro da rainha, ainda muito novo, tendo para isso de fazer as “provas de adesão” que na época eram normais: comportamento na corte, etiqueta nas refeições, domínio das armas, treino de equitação, o gosto pela leitura, e muitas outras provas. Depois de ter ultrapassado as provas com êxito foi aprovado e investido como cavaleiro, aceitando as leis da cavalaria e do reino, ficando na véspera em meditação toda a noite, em abstinência e oração, a que podemos chamar estar em velada de armas ou em vigília de oração. Na manhã seguinte, foi vestido como cavaleiro, recebendo o arnês, as esporas, o elmo e por último a espada, seguindo-se depois o juramento. Como madrinha teve a própria Rainha D. Leonor. Todo este cerimonial leva-nos a comparar com a Promessa escutista, quando o escuteiro já trajando o uniforme, recebe as insígnias, o assistente coloca-lhe o lenço, a madrinha o chapéu ou o “beret” e por fim o chefe cumprimentando-o entrega-lhe a vara, saudando-o.

O Mestre de Avis, mais tarde D. João I era o chefe a quem D. Nuno prometeu fidelidade e respeito, e pelo seu mérito pessoal levou-o a alcançar o comando supremo do exército português, sendo designado como Condestável de Portugal.

É o caminho exemplar de um bom escuteiro que vai conquistando, ano após ano, as várias etapas de progresso, as suas competências e especialidades, os prémios, até vir alcançar a honra de ser designado Cavaleiro da Pátria.

Estes são os dons naturais do escuteiro, que transforma a simples boa-acção em actos profundos de solidariedade até mesmo de abnegação, por vezes com risco da própria vida; nesse sentido a galeria dos escuteiros heróis estende-se por todo o mundo.

É esse o nosso ideal, é esta a nossa mística, que por um lado tem como cenários os campos dos Atoleiros, de Aljubarrota ou de Valverde e por outro lado as ruínas do Convento do Carmo, em Lisboa, onde o Beato Nuno de Santa Maria morreu. Os seus restos mortais encontram-se actualmente na Igreja de Santo Condestável também em Lisboa.